O novo normal já está velho?

Ou como diria a música da banda O Rappa: “O novo já nasce velho”

Ultimamente tenho acompanhado alguns conteúdos relacionados ao desenvolvimento humano e um deles me chamou a atenção, não só pela forma com a qual é apresentado, mas principalmente porque vai diretamente ao ponto.

Trata-se do canal Pensamentos Transformadores formado pelas palestrantes Vania Ferrari e Anna Paula Nogueira. Ambas possuem uma vasta formação na área de RH e, além de unirem seus conhecimentos e transmitirem para milhares de pessoas em seus vídeos e palestras, uniram-se também como um casal representando a diversidade.

Em um dos vídeos mais recentes do canal, Vania e Anna optaram por fazer um formato diferente do qual elas estavam acostumadas. Ao invés de publicarem o vídeo enxuto e editado como de costume, resolveram compartilhar a discussão que tiveram para elaborar o conteúdo do vídeo, sem edição ou cortes.

Isso gerou um vídeo de mais de 30 minutos, o qual resolvi transcrever aqui de forma mais resumida, pois embora os pontos abordados por elas sejam voltados para as organizações e a área de RH, são de grande valia para todas as pessoas.

O tema do vídeo é o novo normal já está velho? Coincidentemente, ouvi no mesmo dia a música “O novo já nasce velho”, da banda O Rappa e isso pra mim foi um sinal de que deveria fazer o registro da minha percepção sobre o vídeo delas aqui.

Abaixo vou colocar o conteúdo extraído do vídeo, com algumas observações para facilitar a compreensão.

O novo normal já está velho?

Coisas velhas que parecem novas representam um perigo. As pessoas estão chamando de novo normal uma coisa que já é velha. O novo normal é trabalho a distância, mas isso já é velho.

Nesse ponto Anna lembra de ter participado de um projeto piloto para trabalhar remotamente no ano de 2011.

Lives e eventos a distância, levar conteúdo para os colabores onde eles estiverem, sem a necessidade de reunir todo mundo no mesmo espaço… Apesar de estarem fazendo muito isso agora, essa tecnologia não é nova.

A vantagem dos participantes é a de estarem todos na primeira fila, sem a separação de área VIP.

Nos eventos online, há maior interação dos participantes e numa intensidade maior, sem a necessidade de se obedecer a uma hierarquia.

Coisa que não acontecia nos eventos presenciais.

Você não sabe o bastante nem para saber se está fazendo a pergunta certa. 

Essa foi uma frase impactante que Vania retirou do livro Reimagine de Tom Peters.

Muitas pessoas que participam dos eventos presenciais, quando tem a oportunidade de pegar o microfone para fazer alguma pergunta às palestrantes, não o fazem. Elas apenas aproveitam a chance para falarem sobre si mesmas e acabam não dando a chance de outras pessoas falarem algo de útil ou simplesmente fazer a pergunta certa.

Q.A. (Quociente de Adaptabilidade)

Anna fala sobre um TED de Natalie Fratto, onde ela enfatiza a necessidade de se trabalhar o chamado Q.A..

  • Q.I. (quociente intelectual) – Medido por onde a pessoa estudou, que experiências ela tem, que conhecimentos ela traz para a organização;
  • Q.E. (quociente emocional) – Qual a capacidade que a pessoa tem de construir uma equipe e de estabelecer boas relações dentro da organização;
  • Q.A. (quociente de adaptabilidade) – Como a pessoa reage a mudanças e como forçamos o nosso cérebro a simular.

O “e se”, ativa o cérebro fazendo com que sejamos pessoas cada vez mais adaptáveis. Questionar o que já sabe, ou seja, aprender a aprender. Jogar fora o que não serve mais para aprender o novo.


O que impede as pessoas de se adaptarem às mudanças?

Preguiça e medo.

Tem pessoas que não melhoram os processos porque vai dar trabalho. O processo é burro, é improdutivo, é caótico, é caro, mas se a gente for mexer no processo, teremos que falar com outras áreas, alinhar, discutir, mudar o formato… e eu tenho preguiça.

Ou eu tenho medo, porque vou expôr a minha ignorância, vou me expôr na organização, eu estava quietinho fazendo o meu, chegando no mesmo horário e indo embora no mesmo horário, ninguém mexia comigo.

Se eu começar a brigar com as pessoas para melhorar esse processo, as pessoas vão ver que talvez eu não seja tão bom, quanto as pessoas pensam.

Nesse novo “novo normal”, você terá que se mexer na cadeira!


O medo e a preguiça nos impedem de inovar.

Não é a tecnologia, não é a inteligência artificial, não é acesso a software e hardware, é muito mais humano. É de fato o nosso desejo de querer mudar o que fazemos diariamente.

Natalie cita um cara que criou uma bicicleta que vira para a direita e vai para a esquerda. Isso é para forçar o cérebro a entender que quando queremos ir para a esquerda, temos que virar para o outro lado. Assim como naqueles exercícios para treinar o cérebro, escrever ou escovar os dentes com a mão esquerda ou vice-versa.


Devemos ser mais subversivos, no bom sentido

Fomos ensinados que ser subversivo é ruim, mas não é. Tem que ter alguém na empresa para dizer “isso não faz o menor sentido, estamos passando vergonha”.

Ter como característica ser mais subversivo, mas também briguento pela coisa certa, porque isso vai estimular as pessoas a perguntar. A chave está aí: fazer novas perguntas, que podem ser simples ou complexas.

O exercício contínuo de perguntar e de propor é que vai gerar grandes mudanças.

Olhar para a organização não mais como um lugar rotineiro que eu TENHO que ir, “porque sim”…

“Eu não estou feliz na empresa onde eu trabalho, mas eu não posso ir embora porque o mercado de trabalho está ruim”.

Se você for bom, o mercado de trabalho é bom, se você for ruim, o mercado de trabalho é ruim.

Equipe idiota, líder idiota. Equipe genial, líder genial!

Prefiro dizer que o mercado de trabalho está difícil, do que atualizar minha rede, atualizar o meu LinkedIn, experimentar o contato com o mercado para de fato entender se está difícil mesmo ou se sou uma pessoa que posso migrar porque o mercado precisa de gente como eu.


QI, QE e QA são interdependentes

A partir do momento que você entende que precisa mexer no seu QA, automaticamente o seu QI vai mudar, assim como o QE que precisa estar preparado para essas mudanças.

Por exemplo, a pessoa que tem dificuldade de cognição, dificuldade de compreensão, não conseguirá desenvolver o QI, logo não conseguirá melhorar a capacidade de mudança.

A pessoa que tem problemas emocionais para assumir que está com algum problema ou está errada, também não conseguirá partir para a adaptação.

Busque primeiramente em você mesmo essas três competências e a partir daí, vai mudando o seu entorno.

Todo mundo quer ser reconhecido, mas para que isso aconteça, é preciso criar uma certa autoridade e reputação. E como conseguimos mudar tudo isso? Estudando!

Se a gente já tem o cenário atual, que já se consolidou, um cenário de retorno que caminha para ser igual ao que era antes, quando vemos o que chamam de reabertura da economia (pessoas voltando para os shoppings e carros como antes), talvez o novo normal seja o velho.


A gente vai voltar de onde a gente veio…

A gente só não vai voltar, se a gente de fato aplicar o QA e exercitar a simulação de cenários possíveis.

Por exemplo, um dos grandes problemas que temos nas grandes cidades é o transporte (público ou privado). A gente já viu que é possível trabalhar de casa, tendo eficiência, sendo mais produtivo…

Essa é uma das questões que precisamos levar para as organizações, quando voltarmos, para que essa seja uma prática contínua. É mais barato, é mais eficiente, contribui com a saúde emocional das pessoas, porque elas vão deixar de se estressar no caminho até o trabalho, então essa é uma prática que a gente precisa mudar.

Precisamos ser muito questionadores, não aceitar alguns argumentos, porque a gente testou, fomos obrigados a testar e a usar os novos modelos e a gente não pode deixar esses avanços retrocederem.

Porque se a quarta revolução industrial gerou um novo jeito de fazer negócio, um novo consumidor, essa revolução que fomos obrigados a participar, gerou um novo colaborador.

Então, se você empresa quer chamar para trabalhar grandes talentos, essas pessoas vão querer trabalhar de casa. Ou ainda, ser híbrido…


Modernidade líquida (livro de Zygmunt Bauman interpretado por Vania Ferrari)

Você não tem só o líquido… Você continua tendo o sólido e o gasoso.

Os sólidos são os nossos valores (missão, visão e valor).

O líquido é o método, que tem que ser fluido e tem que mudar toda hora. Se o líquido cai numa caixa, fica quadrado, se cai num aquário, fica redondo.

Os processos precisam ser revisitados e serem líquidos o tempo todo.

A cultura é gasosa, ela tem que circular entre nós e nós temos que sentir a presença da cultura, sem ter que ficar invocando-a toda hora.

O fogo transforma o gelo em água e a água em gás e ele simboliza o pensamento crítico.

O valor pode ser gasoso, pois precisa ser revisitado em questões urgentes para uma evolução. Diversidade que evoluiu para uma inclusão, por exemplo. No entanto, o valor não pode ser desconstruído.

Com base num conjunto de valores, qual o próximo passo que daremos como uma organização e como adaptamos alguns deles. A essência permanece a mesma.

O novo normal requer que você sempre melhore.


O novo normal nos fez descobrir que somos finitos.

A gente vai morrer, vamos perder o trabalho do qual somos tão apegados, teremos que dar um passo para trás em nossa carreira, porque isso é mais interessante para a nossa saúde, embora não seja interessante para o dinheiro.

Mas também, quem precisa de muito dinheiro se a gente vai morrer?


Finitude

O tempo é finito, sua carreira é finita, a sua vida é finita, a sua fornada de trabalho tem que ter fim, os recursos naturais são finitos, o mundo é finito…

Fala-se tanto em produtividade, mas por que, se tudo é finito?

Talvez o antônimo de produtividade não seja não fazer nada, mas sim fazer o melhor com pouco.

Outra questão levantada é que uma parte do nosso tempo, do que temos que fazer, será substituída pela tecnologia. Ou seja, vai sobrar tempo. A gente não preenche esse tempo da forma que estava, porque é insustentável.

Como a gente permite que sobre tempo pra gente inovar, pra aprender outras coisas, pra reduzir jornada, pra não fazer nada… é um novo uso de tempo, sabendo que ele é finito.

A inteligência artificial, vai recuperar um espaço de tempo que nós não temos que recuperar.

“Já que eu não tenho mais que fazer isso, eu vou encher o meu tempo de outras coisas”… Não!

Você vai ficar numa ociosidade saudável, vai cuidar da sua família, vai ver seus filhos crescerem, vai ver o por-do-sol, o nascer do sol…

A jornada tem que reduzir para você fazer bem feito da primeira vez. Quando você faz isso, você ganha tempo.


E como fazer bem feito da primeira vez?

Estudando!

Por isso que os três quocientes são interdependentes e complementares.

Não é para fazer mais rápido, é para fazer melhor.

A gente está na loucura do mais rápido, mais eficiente, mas na verdade temos que deixar mais tempo para viver, para refletir, para agir…

Uma das coisas que a gente mais reclamava antes da pandemia era que não tínhamos tempo. Quando chegou a pandemia, lotamos a agenda de trabalho, Lives, cursos online, atividade física online, meditação… Ou seja, a gente manteve o estresse emocional que a gente já não gostava no cenário anterior.


Temos que parar de fazer idiotice e deixá-la sólida.

A gente pega um processo ou uma ideia que deveria ser líquido ou gasoso e tornamos ele sólido.

Precisamos de salas com muitos “post-its” para mostrar que aquela equipe tem ideias… Só que é tanto “post-it” que depois não se sabe o que fazer com aquilo.

O excesso te paralisou.

O que é na sua vida o sólido idiota? O sólido imbecil? O sólido que se fossilizou?

Quais são os sólidos que você tem que transformar em líquido e gasoso ou ainda abrir o ralo e deixar ir embora?

Muitas pessoas dizem que não podem questionar muito, pois precisam sobreviver no trabalho…


Se você precisa sobreviver nesse trabalho, você está no lugar errado!

Você tem que viver o trabalho, gostar dele, se apaixonar pelas suas atividades.

Não precisa ser tudo, pois tem coisas da nossa rotina que não gostamos de fazer, mas a maioria das coisas precisa ser apaixonante.

Lembrando que apaixonante porque VOCÊ acha apaixonante. Não precisa idealizar projetos incríveis, mas sim enxergar e se encantar com coisas que talvez para os outros sejam encarados como rotinas chatas ou processos desinteressantes.

Você pode ter uma relação de paixão com o que você faz, seja a atividade que forE se você não tem, dá um jeito de automatizar para você se livrar dela.

Automatiza, terceiriza, cria um jeito de ganhar autoridade na sua empresa para você passar isso para outra pessoa. Cria um sucessor, faz ficar divertido e estimulante…


Vania e Anna finalizam o vídeo convidando a todos para que formulem suas próprias ideias a partir do que assistiram e compartilhar esse conteúdo com quem precisa.

Eu utilizo o meu site para estudar e divulgar assuntos que considero pertinentes para a minha formação pessoal e profissional.

Espero que esse conteúdo também possa ajudá-lo(a) de alguma forma. Se sim, deixe o curtir logo abaixo e compartilhe você também para ajudar mais pessoas! 😀

Caso queira contar sua história ou sugerir algum tema, deixe seu comentário!

Obrigada pela visita e até a próxima! 😉

Um comentário em “O novo normal já está velho?

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