Meditação faz bem? O que diz a Neurociência?

De acordo com a neurocientista Claudia Feitosa-Santana, a meditação faz bem e é extremamente necessária para a vida conturbada que temos. No entanto, é necessário ter disciplina e algumas pessoas só podem praticá-la com o acompanhamento de um especialista. Veja o motivo na transcrição a seguir.

Meditação faz bem? O que diz a Neurociência?

Existem diferentes tipos de meditação.

Os estudos científicos mostram que a meditação melhora a qualidade de vida dos seus praticantes.

A meditação é um exercício de observação do estado presente, seja observando a respiração ou os pensamentos que invadem a nossa mente.

Ao contrário do que muitos pensam, meditação não é sinônimo de esvaziar a mente, porque a invasão de pensamentos ocorre com bastante frequência.

Não há dúvidas, dentro da Ciência, de que a meditação está associada à melhora da qualidade de vida, mas os estudos específicos sobre os efeitos da meditação nos transtornos e nas doenças estão apenas começandoSão mais de cinco mil artigos e vou tentar trazer aqui os pontos mais relevantes.

No caso da depressão, existe o consenso científico de que a meditação ajuda na redução dos sintomas ou até mesmo na remissão deles.

O que isso significa na prática? É quase como o uso de um fármaco, não necessariamente funciona para todo mundo. Ou se funciona, pode ser que com poucas sessões um paciente possa sentir os benefícios, outros precisam de muito mais sessões.

E por que existe tanta diferença de um paciente para o outro?

Porque na verdade, mesmo quando meditamos por meditar apenas, os efeitos da meditação dependem da personalidade e do temperamento das pessoas, mas isso ainda é muito pouco compreendido pela Ciência.

O mais importante é usar a meditação como prevenção.

A meditação ajuda a não evoluir sintomas de depressão e não instalar a doença. Assim como ela pode ajudar pacientes que tiveram depressão a não terem uma recaída.

Já no caso do Transtorno de Ansiedade, os estudos indicam que existe um benefício e pode reduzir os sintomas, mas não existe nenhum consenso científico sobre a remissão deles.

Ao que tudo indica, pelo menos até onde a gente sabe, os efeitos da meditação para a ansiedade parecem ser menores do que para a depressão.

A meditação é contra-indicada para pessoas que tem Transtorno de Ansiedade Generalizada. Ou seja, para essas pessoas, não é que elas não podem meditar, mas elas precisam ser supervisionadas.

Em contrapartida, assim como para a Depressão, a meditação ajuda a não evoluir os sintomas e não instalar um Transtorno de Ansiedade. Muito provavelmente porque parece que a meditação ajuda na atenção.

Um grupo de pesquisadores brasileiros fez um estudo sobre a relação da meditação com a atenção. Eles descobriram que o grupo dos meditadores foi mais eficiente do que os não meditadores numa tarefa de carga tensional. O grupo de meditadores praticava meditação há mais de oito anos.

Com o uso de uma inteligência artificial, a máquina inteligente olhava para as imagens dos cérebros dos dois grupos, sem saber qual era qual e foi capaz de identificar e separar meditadores de não meditadores, com quase 100% de certeza.

Isso significa que pessoas que meditam a longo prazo tem uma estrutura cerebral diferente de quem não medita, mas isso neste grupo. Pode ser que a gente venha encontrar evidências de que funciona para todo mundo.

Um outro estudo também de brasileiros mostra que mulheres que praticam Yoga e tem mais de 60 anos, tem uma região do cérebro com uma espessura cortical maior do que mulheres da mesma idade que não praticam Yoga.

Essas mulheres praticam Yoga há, no mínimo, 8 anos e o que esse estudo sugere é que elas tenham uma preservação cognitiva muito maior.

Esses estudos brasileiros junto com outros estudos internacionais mostram que a meditação a longo prazo pode fazer mudanças na estrutura do nosso cérebro, assim como nas nossas conexões neurais, melhorando a forma como funcionamos.

Retiros de meditação trazem bem estar e melhoram os sintomas de depressão, de ansiedade e de estresse.

Um estudo brasileiro em particular mostra melhora na atenção. No caso de abuso de substâncias, existe uma recomendação: as pessoas precisam de supervisão de especialistas em abuso de substâncias para fazer a meditação.

Junto com isso, muitas outras intervenções, porque existe praticamente um consenso científico de que, sem todo esse quadro, a meditação não traz efeito nenhum.

É comprovado que praticar Yoga ajuda a melhorar os sintomas psicológicos de pacientes adultos com câncer, mas para pacientes pediátricos não existe um consenso. Ou seja, é preciso tomar cuidado quando se recomenda meditação para crianças com câncer, porque não se sabe se vai realmente ajudar.

Esse é o mesmo caso para crianças diagnosticadas com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDHA). Não existe um consenso de se realmente deve ser recomendada a meditação.

Apesar de parecer óbvio que genericamente a meditação tem efeitos positivos, quando existe um estudo científico que considera todos os estudos juntos, percebemos que o efeito é relativamente moderado ou pequeno.

Mas aí você pensa: isso é meio óbvio, porque em geral, quando as pessoas buscam a meditação, elas buscam uma atitude perante a vida que englobam outras coisas. Como por exemplo: alimentação saudável, uma boa noite de sono e fazer exercícios.

Então, o que é verdadeiramente importante é buscar uma vida saudável.

A meditação é um ato que exige disciplina, mas é extremamente necessária na nossa vida que é tão conturbada.

Claudia pratica Zazen há mais de 20 anos.

E você? Qual é o seu tipo de meditação?


Confesso que ainda não consigo praticar meditação como deveria, mas a cada artigo que leio sobre o assunto ou vídeos como esse que assisto, mais me convenço da necessidade de começar o quanto antes!

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Obrigada pela visita! 😉

2 comentários em “Meditação faz bem? O que diz a Neurociência?

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